Os transtornos do movimento representam um grupo amplo de síndromes que são causadas por um defeito no controle do sistema motor. O sistema motor é o grande responsável pela força e potência dos músculos, porém existem componentes cerebrais que regulam e controlam os movimentos, tanto os movimentos voluntários quanto os automáticos (como por exemplo piscar, engolir e até caminhar).
Portanto, as doenças que afetam esses componentes de regulação são marcadas por comprometimento da fluidez dos movimentos voluntários e automáticos e aparecimento de movimentos involuntários.
Os transtornos do movimento são classificados em situações em que o movimento está diminuído (transtornos hipocinéticos) ou aumentado (transtornos hipercinéticos).
O único representante dos transtornos hipocinéticos é o parkinsonismo, que se caracteriza pela presença de lentidão do movimento (bradicinesia) com rigidez muscular e/ou tremor de repouso. Apesar de ser a principal, a Doença de Parkinson não é a única causa de parkinsonismo! Esse conjunto de sintomas também pode ser causado por várias medicações e doenças que podem imitar a Doença de Parkinson.
Dentre os transtornos hipercinéticos, o tremor é o principal deles e representa, inclusive, o transtorno do movimento mais prevalente na população. Ele pode ser causado por várias doenças (dentre elas, doenças inflamatórias, infecciosas, metabólicas, vasculares, genéticas e degenerativas) e até por medicações também. Além do tremor, o transtorno hipercinético também pode se apresentar como distonia, coreia, balismo, atetose, mioclonia, ataxia, tique e outros menos comuns.
Os transtornos do movimento geram um impacto muito grande na qualidade de vida e independência do indivíduo. Por isso, o diagnóstico mais acurado do tipo e sua causa irá definir o melhor tratamento para manutenção da autonomia e ajudar na prevenção de complicações.
Distonias
O que é a distonia?
Distonia é um distúrbio do movimento caracterizado pela presença de contrações musculares involuntárias que podem ser sustentadas ou intermitentes gerando posturas e movimentos anormais.
Esse distúrbio do movimento pode estar presente em uma grande variedade de doenças, podendo ser o principal sintoma (distonia primária) ou representar um dos sintomas (distonia secundária).
Como ocorre?
Quando precisamos realizar um movimento voluntário, mesmo que seja o mais simples possível, ocorre uma integração muito grande entre vários sistemas cerebrais, principalmente o sistema motor e o sistema sensitivo. Por exemplo: quando há o desejo de virar a cabeça para direita, o sistema motor emite a informação para os músculos para que esse movimento seja realizado. Porém, para que o cérebro tenha a noção de como a cabeça está posicionada e quais músculos devem ser ativados para que esse movimento seja realizado, informações sensitivas da posição e grau de contração dos músculos precisam ser enviadas para gerar o planejamento motor. Portanto, quando ocorre um desequilíbrio na comunicação entre esses dois sistemas, os movimentos produzidos não anormais, desajeitados ou exacerbados.
Como se manifesta?
As distonias são definidas clinicamente pela avaliação neurológica com anamnese e exame neurológico devido às suas características específicas que diferenciam de outros distúrbios do movimento, como parkinsonismo, tremor ou tique. São movimentos padronizados, involuntários, que pioram com a ação e com posturas específicas, podendo se espalhar para músculos vizinhos.
Quais as mais comuns?
As mais frequentes são:
– Blefaroespasmos: gera piscamentos involuntários e frequentes, maior fechamento dos olhos e sensibilidade à luz (fotofobia)
– Distonia orobucolingual: movimentos e posturas involuntários dos lábios boca e línguas
– Distonia cervical: movimentos e posturas involuntários da cabeça e do pescoço
– Cãibra do escrivão: movimentos e posturas involuntários durante a escrita, gerando dificuldade para realizar a tarefa e dor.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da causa e da distribuição no corpo. Os melhores tratamentos para o controle da distonia envolvem o uso de toxina botulínica e até mesmo cirurgia cerebral (Deep Brain Stimulation). Em alguns casos, medicações via oral também podem ser utilizadas isoladamente ou em associação aos tratamentos citados anteriormente.
Portanto, é essencial uma avaliação com um especialista na área para melhor determinação do diagnóstico e tratamento mais apropriado para cada caso.

